confortável

Anotando um comentário que escutei numa entrevista, “a submissão é confortável, e a liberdade é desconfortável, pois envolve decisões”. Percebo isso como um cercado… é confortável viver dentro de um… para aonde for, há uma barreira… e isso é tão agradável… dá uma sensação de calor no estômago, de segurança, talvez até de colo materno… diferente do medo que se tem do desconhecido, do inesperado, de olhar e pensar, para qual lado devo ir? qual é o caminho certo? aquela coisa de ser dono da sua vida e dos seus atos… e ver que estamos imersos num universo de pessoas e em constante conexão com as mesmas, e que cada ato terá consequências, e afetará a vida de várias pessoas, no mínimo a minha e de mais alguém… e não poderei jogar a responsabilidade desses atos para terceiros… então penso, liberdade dá muito trabalho, dá muita dor de cabeça, e decidir gera desconforto… não seria melhor ficar dentro do cercado e submisso,  deixando que alguém nos diga o que fazer, aonde ir, e o que sonhar? ou como diria Zé Ramalho… “vida de gado… povo marcado… povo feliz…”

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anotações

se conhece uma pessoa pelos pequenos detalhes, por aqueles que não conseguimos esconder pois são tão mínimos, que nem nós percebemos que nos denuncia a forma de agir e de pensar a todo instante… por isso sempre acreditamos que somos diferentes dos pais e que jamais seremos como eles… aí o tempo vai passando, a insensatez natural dos 20 e poucos, começa a ceder, já que a dor e o sofrimento vai nos mostrando que as coisas são diferente do que acreditamos, então percebemos o quanto somos parecidos a eles, e que quantas coisas boas haviam ali, e deixamos passar… e começamos a correr atrás do tempo perdido, que já não volta… mas começamos a escrever uma história diferente, digo, tentamos escrever na verdade, porque descobrimos que mudar exige sacrifício, exige renúncia, e principalmente exige escolha… há que se ter um ardente desejo para empreender mudanças… aí notamos que somos falhos, como nossos pais também o são, pois são humanos, assim como qualquer um… e entender ou perceber que as escolhas que tomaram talvez tenham sido a melhor que podiam naquele instante diante das circunstâncias e das limitações de cada um, e isso abre todo um horizonte novo de compreensão, e faz a vida ganhar um colorido mais intenso e verdadeiro… afinal não precisamos escapar daquilo que é a raiz do que somos, e que um dia as sementes que plantaram em nós, germinarão dando frutos, misturados à outras plantas que estarão por aí pelo acaso da vida…

o tempo das coisas

tudo tem seu tempo, tudo tem a hora certa… os frutos não vem antes da árvore florescer… assim como na colheita… se é cedo perde-se o doce, se é tarde, perde-se o fruto… saber o tempo certo das coisas, não é tarefa fácil… a medida que o tempo passa, vamos tendo um pouco a ideia do que é, e quando chegamos finalmente a saber, é porque nosso tempo se esgotou e é hora de ir embora…