tempo

…lembra quando a gente era piá, e a mãe da gente preparava as coisas do colégio, a gente já arrumado, com uniforme e tudo, e colocava a mochila nas costas, e escutava “agora vai!”? você consegue lembrar a sensação que era esse “agora vai” e que dava aquela vontade de chorar, e que a gente segurava, porque homem não chora mesmo que tenha oito ou nove anos, você lembra? eu não sentia isso a muitos anos, e põe anos nisso… pra quem foi rueiro, que pegava a bicicleta e sumia… cabelos ao vento (sim, eu tinha cabelos compridos encaracolados!!!) e ía até onde as pernas aguentavam… (ou na rua daquela menina por quem eu era apaixonado… e ficava passando feito um idiota na rua da casa dela…) então nunca tive problemas com distâncias… porque sempre soube que estavam alí e eu sempre voltava… mas aquela sensação do “agora vai!” em que ficava aquele vazio, aquela coisa de ficar sem saber o que fazer…  essa sensação apareceu ao saber que minha mãe quase foi… e não adianta dizer que você tá adulto ou qualquer coisa… a sensação é essa… parece que você tá saindo pra escola, e aquele agora vai, você sabe que não vai ter volta… e que não há nada, mas absolutamente nada que se possa fazer… o tempo é inexorável… é implacável, aponta nossos defeitos, mostra nossos erros, cobra nossas atitudes, mina sonhos e desfaz esperanças… o tempo vai nos engrossando o couro… é nosso grande mestre… aceita sugestão? desencana… a gente pira em cada idiotice… tenho uma conhecida, que pra fazer c* doce pro outro, ficou com um terceiro, achando que estava fazendo algo inteligente, como se fosse, se você não quer tem quem quer, e pegou o primeiro barranco que achou… conclusão? engravidou… e aí? meça as consequências… a gente age de acordo os outros… o que os outros vão pensar, o que os outros vão sofrer, o que os outros blá, blá, blá… os outros (com raras exceções) estão pouco se fodendo pelo que gente pensa, sente ou sofre… larga de viver em função dos outros, viva pra você… caso contrário a gente se quebra… e quem é que recolhe nossos cacos? família… a mídia mostra que há algumas exceções… viva-os enquanto existem… como se fosse cada vez, a última vez que os visse, porque um dia será… e aí não adianta levar flor no túmulo ou ficar chorando feito carpideira… não resolve, não alivia, não tira a sensação da falta… e não dá pra remediar…

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