classe

A vida realmente tem um senso de humor refinado, que me coloca em algumas situações peculiares. A exemplo, poderia citar o teste de valores. Tenho por hábito não me interessar por mulheres que tenham namorados, noivos ou maridos, por uma questão muito simples… segurança, e se quem tem alguém me abre espaço para me aproximar, como confiar depois? se fez com um poderá fazer com outro…

Para isso desenvolvi algumas estratégias, afinal, quem disse que o instinto ou a libido se controlam? no máximo estabelecemos parâmetros hipoteticamente seguros… o que faço é procurar algum defeito, o que normalmente é fácil de encontrar, e o encanto se quebra… por exemplo: um falar como se estivesse na balada porém se está num restaurante, um mascar chiclete como se fosse um ruminante, ter maneiras de uma líder de torcida no meio de um shopping lotado… coisas que denotam uma certa falta de classe…

Todos esses itens anteriores não são excludentes, é claro, mas quando se tem de evitar se interessar pela mesma, ajuda, e muito… afinal mulher que me faça passar vergonha em público é carta fora do baralho..

Existe porém uma outra situação, que são aquelas que no andar, no seu jeito leve de sorrir e de falar, nas palavras simples, aquela coisa requintada, demonstram uma classe que me deixa aturdido no momento… fazendo uma analogia, ao invés de se mostrarem como se fossem um pedaço de carne no açougue, se mostram como se fossem uma jóia rara no balcão de uma joalheria…

Mulheres assim me deixam como arroz de terceira, fico a mercê de seus caprichos, e para piorar o quadro, sou tão discreto quanto uma revoada de hipopótamos, que até uma pedra poderia afirmar meus interesses… aí me pergunto, como ser coerente com aquilo que acredito? sinceramente não sei responder… e realmente, não sei nem se quero responder…

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silêncio

horas que passam, pensamentos que revelam,
desejos que se acomodam, passos que seguem,
estrada que se perde no horizonte…

chuva que desce, terra que se fertiliza,
arado que fende a terra, coração que se abre,
sonhos que brotam…

flores da primavera, folhas caídas de outono,
orvalho da madrugada, gotas de suor…

rios caudalosos, pedras salientes,
seixos rolados, fim da estrada, silêncio…

palavras

Quase decretamos o fim da espécie humana por causa de ideologias. Isso me leva a crer que a afirmativa “palavras matam mais que armas de fogo” é real e verdadeira. Palavras são tão sólidas, que se construiu tudo o que consideramos de conhecimento universal com elas.

Interessante é perceber o poder que as palavras tem, tanto para construir quanto para destruir… depende de como as utilizamos, se como navalhas que cortam e dilaceram corações, ou pétalas de rosas que enxugam lágrimas que brotam não só dos olhos, porém da alma… e isso fica a livre escolha de cada um….

paradoxo

paixão é um negócio curioso… nos faz ver alguém que não existe além da nossa própria imaginação, e com qualidades que só a ficção poderia se encarregar de dar vida… e o pior é que ao revê-las, me fazem reviver as lembranças boas que me fizeram sentir, e como isso trai as minhas convicções, e o que é um tanto quanto engraçado e constrangedor ao mesmo tempo…

o primeiro impacto é aquela felicidade em rever a pessoa… querer parar para saber como está, enfim, sei lá, dizer que foi bom enquanto durou, lamentar que não tenha ido adiante, agradecer por ter feito parte de minha vida, nem que tenha sido apenas por breves instantes… dizer que ela foi importante por isso ou por aquilo… e isso não significa que tenha a vontade de dar vida a algo em que a confiança por um motivo ou por outro tenha deixado de existir, e amor sem confiança, é como se fosse uma planta sem água…

o curioso é que o bem querer permanece, até porque foram pessoas que em determinado instante da minha vida, contribuíram com algo, e as vezes com muito, e tem o completo desconhecimento disso, e que da minha parte merecem toda a felicidade do mundo, mas assim, eu cá e ela lá… agora, que dá aquela tremida na base quando isso acontece, ah! isso dá, tanto que eu tenho que lembrar da parte ruim da história, e há várias normalmente, porque senão estava feita a desgraça… são paradoxos que me constrangem…