trinta e sete

aproveitando os últimos instantes dos meus 36 para escrever… talvez fazer um apanhado, ou apenas um pequeno balancete deste último ano…

talvez esse tenha sido um dos anos mais cheio de altos e baixos que tive, coloquei de vez os pés e as mãos nas relações internacionais e tirei as últimas dúvidas com  relação a essa escolha que aconteceu por acaso em minha vida…

dois eventos foram muito marcantes, o Eneri, e o encontro da ABRI, com os quais consegui perceber o alcance e a profundidade do que quero me envolver, e o quanto se pode conseguir com isso… tenho certeza que o sacrifício que se impôs a minha família, não será perdido… agora preparar-me para o concurso, e para a carreira de fato…

continuo eu mais eu mesmo, ainda aquela ideia de encontrar uma companheira permanece, mas como alguém que acredita em várias reencarnações, vou plantando para o futuro nessa ou na outra, o que quero para mim… estou aprendendo a não ter pressa… mas saber que se Deus retira do meu caminho pessoas, é porque estas não somarão nada de importante, nem para elas, nem para mim… e nada mais justo do que deixar livre para que vivam como assim desejarem…. e que sensação boa é essa a de experimentar a liberdade e compartilhá-la, é algo único… afinal não dá para ser a roda quadrada para a carroça dos outros, mas também não dá para deixar ninguém ser para a minha… e nisso, Deus tem sido um cara legal comigo…

novo ciclo começando, mais cabelos caindo, e sensatez que é bom, nada… enquanto o brilho continuar nos meus olhos, a vida segue pulsante em mim… irei errar inúmeras vezes… irei me apaixonar outras tantas… seja por ideias, projetos, mulheres, ou tudo junto (é o ideal)… e todo bom leonino nascido no dia 27, estar apaixonado é tão importante quanto respirar… ah! e o espaço da musa está vago… leão ama de forma ardente, sincera e leal principalmente… não é para qualquer uma… afinal, nenhum leão é qualquer um…

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estiagem

“penso que a estiagem terminara… o solo árido fora regado com minhas lágrimas e se tornou fecundo… e planta que recém brota, irá amadurecer e florecer… e seus frutos serão doces e saciarão a quem foram destinados… pois está plantada no solo sagrado do coração…”

algumas coisas são interessantes, ocorrem de uma forma inexperada, e me levam a repensar minhas escolhas e atitudes em relação as minhas prioridades perante a vida… confesso que muitas das respostas que queria, vieram em forma de perguntas, e que me deixaram apenas uma saída, reafirmar meu compromisso com a vida, e ser aquilo de melhor que possa ser com todos que cruzarem o meu caminho, distribuindo as flores colhidas em minha alma…

revirar o solo, semear, cuidar e colher… do suór escorrido na testa, e das unhas sujas de terra… é só isso que tenho a oferecer… a busca ainda segue… um dia a encontro, por enquanto vou florindo meu jardim…

fundamentalismo

uma das coisas que mais gosto em meu curso, é o fato de ser obrigado a sair da posição etnocêntrica, e passar a analisar pela visão do outro qual é a verdade dele, e ter que respeitar, mesmo que não concorde… afinal, internacionalista que acredita que a sua verdade, seu sotaque, sua forma de ver a vida são as corretas… pode ser qualquer outra coisa, menos internacionalista… como desconsiderar o caldo cultural que faz parte de cada um nós? a minha verdade é diferente da verdade do meu vizinho, e assim por diante… aí vem o direito e estabelece um mínimo que seja coerente para que essas verdades coexistam em harmonia… fora disso, é fundamentalismo…

fui a um vernisage de um escritor espírita, o qual tive o prazer de ouvir, e como não me sinto obrigado a ser concorde com ninguém, porém busco os pontos que me parecem interessante e sejam válidos ao meu histórico de vida, pois o que não me faz sentido não tenho capacidade de entender, e mesmo que não acreditasse, não significaria que não existe ou que não possa ser verdade, mas que nesse caso específico, não se aplicava… aliás uma pessoa de uma rara lucidez muito interessante, e que se deve observar o seu trabalho e ler…

obviamente iria levar um livro autografado… e estou lá na fila… e pessoas começam a conversar sobre religião, e tudo transcorre bem, até alguém achar que católico não pode se comunicar através de um médium sem ter assumido a doutrina espírita… ou que sua mensagem está errada apenas por ser católico… e os argumentos foram se intensificando e eu me aporrinhando… aproveitei para fazer uma analise do fato… e me perguntei… qual é a diferença do ato entre um espírita que se acha dono da verdade absoluta e um islâmico que se acha dono da verdade absoluta? me respondo… nenhuma… é tudo fundamentalismo… a diferença seria a intensidade da atitude tomada, que dependeria da cultura de cada um, mas a raíz é a mesma… aliás poderia ser um judeu, ou um católico extremista e até ateu… continuaria sendo fundamentalismo….por isso digo… tenho medo de fundamentalistas religiosos… o espírita ali dono da verdade está inserido num Estado de direito… porque se estivesse inserido num Estado teocrático, ou numa situação de anarquia temporária, certamente estaria degolando, matando, violentando, ou fazendo limpeza étnica em nome do seu deus…

aí me faço mais uma pergunta… o que tem de mal em não pensarmos igual? a minha verdade é boa para mim, e quem sou eu para achar que é boa para os demais? respeito as diferenças é básico de uma sociedade desenvolvida, e no faz mais próximos da divindade no meu entendimento… mas isso serve para mim, e para os demais? cada um que descubra qual caminho o faz mais feliz…