palavras

Apesar de ser um usuário de editor de texto desde o tempo das BBS’s (bulletin board system), quando queria expressar algo mais profundo, usava da carta escrita a mão, com caneta tinteiro e com letras desenhadas usando aquelas penas de ponta reta, não que fosse necessário, mas porque alí estariam meus sentimentos… era uma forma de tratar adequadamente o que representava… seria de uma forma análoga colocar meus sentimentos numa caixinha e entregar à pessoa dizendo “toma, é seu…”

Desnecessário dizer que na prática nunca funcionou, mas não significa que alí não houvesse algo importante… o tratamento dado a carta, seria exatamente o mesmo dado ao sentimento… se ela fosse para o lixo, para esse mesmo lugar iria o sentimento… houveram casos hilários, que me recusaria a descrever aqui… lógico, sempre acompanhada de flores, ou alguma lembrança…

O tempo passa, hoje não sei mais onde está meu estojo de penas de ponta reta e não é mais necessário papel e tinta, o monitor e o teclado substituem bem… porém algo permaneceu… continua não funcionando… porém segue indo meu sentimento, e o tratamento dado ao email continua tendo os mesmos efeitos do que se fosse ao papel e tinta… continua sendo pessoal, a destinatária continua específica, e não uma comunidade… aliás… imagina pegando um papel, picando em vários pedacinhos e entregando para várias pessoas, é análogo a pegar o valor intrínseco e fazer a mesma coisa… pois algo pessoal não é público… e realmente não sei lidar com isso, não quero aprender e nem achar normal… apesar de ser algo comum, e esta ser a quarta vez que me acontece nos últimos dois anos, mas uma hora aprendo ou mudo, que me parece irá acontecer antes…

As palavras continuarão belas, expressando sentimentos, ideias e aspirações… as poesias encantarão olhos e mentes, e a palavra cantada ainda continuará enchendo de alegria os corações… uma hora encontro uma que goste dessas coisas bestas que são tão acessório, mas que deixam tão mais leve e mais encantador algo a dois, enfim, é culpa dos meus pais… minha mãe colocou um parâmetro lá em cima do que seja uma capacidade de amar alguém, e meu pai aquela verve apaixonada do sangue hispano latino expressa pelas palavras…

“Palavras” – Blindagem

Paulo Leminski / Ivo Rodrigues

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