anotações

Eu não me considero alguém religioso, tenho minhas crenças individuais, porém não creio que isso devesse ser compartilhado com pessoas de sã consciência… creio no Deus que criou o homem e não no Deus que o homem criou… aquele mesmo que está nas escrituras “sagradas” das religiões… concebo isso como uma forma que o próprio homem tentou entender a si, e a toda a criação ao seu redor… e por essa abordagem, acredito que é um dos mais belos esforços de gente comum, gente como a gente, e que deve sim ser levado em consideração dessa forma e não como palavras santas, ou inquestionáveis, mas como um esforço do ser humano… e na minha visão, abençoado por algo que sinto, que a cultura ocidental chama de Deus… agora, os absurdos que fizeram com essas palavras e por causa delas, são outros quinhentos… a parte que segue abaixo me chama a atenção… pois fala de algo que me é muito caro… fidelidade… não há um certo ou errado, mas há um acordo entre as partes, um estabelecimento de confiança… e principalmente as vezes o que pode ser apenas mais um alguém na nossa vida, pode ser um raio de sol na vida de outra pessoa… e de repente a gente vai lá e tira… em tese para Davi significou a morte de um filho e a espada em sua casa… certamente não seria assim hoje, mas talvez fosse olhar no espelho e sentir-se assim, de modo figurado…

II Samuel, 12

1. O Senhor mandou a Davi o profeta Natã; este entrou em sua casa e disse-lhe: Dois homens moravam na mesma cidade, um rico e outro pobre.
2. O rico possuía ovelhas e bois em grande quantidade;
3. o pobre, porém, só tinha uma ovelha, pequenina, que ele comprara. Ele a criava e ela crescia junto dele, com os seus filhos, comendo do seu pão, bebendo do seu copo e dormindo no seu seio; era para ele como uma filha.
4. Certo dia, chegou à casa do homem rico a visita de um estranho, e ele, não querendo tomar de suas ovelhas nem de seus bois para aprontá-los e dar de comer ao hóspede que lhe tinha chegado, foi e apoderou-se da ovelhinha do pobre, preparando-a para o seu hóspede.
5. Davi, indignado contra tal homem, disse a Natã: Pela vida de Deus! O homem que fez isso merece a morte.
6. Ele restituirá sete vezes o valor da ovelha, por ter feito isso e não ter tido compaixão.
7. Natã disse então a Davi: Tu és esse homem. Eis o que diz o Senhor Deus de Israel: ungi-te rei de Israel, salvei-te das mãos de Saul,
8. dei-te a casa do teu senhor e pus as suas mulheres nos teus braços. Entreguei-te a casa de Israel e de Judá e, se isso fosse ainda pouco, eu teria ajuntado outros favores.
9. Por que desprezaste o Senhor, fazendo o que é mau aos seus olhos? Feriste com a espada Urias, o hiteu, para fazer de sua mulher a tua esposa, e o fizeste perecer pela espada dos amonitas.
10. Por isso, jamais se afastará a espada de tua casa, porque me desprezaste, tomando a mulher de Urias, o hiteu, para fazer dela a tua esposa.
11. Eis o que diz o Senhor: vou fazer com que se levantem contra ti males vindos de tua própria casa. Sob os teus olhos, tomarei as tuas mulheres e dá-las-ei a um outro que dormirá com elas à luz do sol!
12. Porque agiste em segredo, mas eu o farei diante de todo o Israel e diante do sol.

Anúncios

So um Deus nos poderá salvar

Leonardo Boff

A crise de nossa civilização técnico-científica exige mais que explicações históricas e sociológicas. Ela demanda uma reflexão filosófica que desemboca numa questão teológica. Quem o viu claramente foi Martin Heidegger (1889-1976), antes mesmo que tivesse surgido o alarme ecológico.Numa famosa conferência em 1955 em Munique “Sobre a questão da técnica”na qual estavam presentes Werner Heisenberg e Ortega y Gasset, ele tornou claro o risco que o mundo natural e a humanidade correm quando se deixam absorver totalmente pela lógica intrínseca deste modo de pensar e de agir: intervem e manipula o mundo natural até às suas últimas camadas para tirar benefícios individuais ou sociais. A cultura técnico-científica penetrou de tal forma na nossa autocompreensão que já não podemos entender a nós mesmos nem viver sem essa muleta que introjetamos em nosso próprio ser e estar-no-mundo.

 

 Ela representa a convergência de duas tradições da filosofia ocidental: a platônica de cariz…

Ver o post original 629 mais palavras