Aluna do Colégio Estadual perdeu 60% da audição no Massacre de Curitiba

Blog do Tarso

BombasTaciane2An Taciane Grassi, 17 anos. Foto de Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Hoje na Gazeta do Povo

Estudante de 17 anos perdeu 60% da audição

“Eu estava na frente do prédio do Tribunal de Justiça quando a confusão começou e a gente ergueu as mãos, gritando ‘sem violência’. Um objeto que eu acho que era uma pedra veio voando de onde estavam os policiais. Meu amigo falou ‘não se desespere, mas sua cabeça está sangrando’. Coloquei a mão, vi o sangue, e fiquei desesperada, é claro. Na ambulância o rapaz me deu iodo e disse ‘não tem mais como te ajudar, porque caiu bomba nos equipamentos’. Aí voltei para o bosque, porque sentia a necessidade de estar ali. O choque avançou jogando bombas no acampamento e a gente corria para tampar as bombas com a caixa de papelão, para não explodir na galera. Na hora que eu cobri uma com a caixa…

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cabeça

as vezes parece que minha mente é uma mistura de uma bateria de escola de samba com uma usina nuclear… sabe o que é tentar fazer silêncio mental para tentar ler um livro, ou apenas poder apreciar o nascer do sol diante da praia sem conseguir parar por um instante a conversa consigo próprio? eu não sei o que é fazer silêncio mental… sei o que são crises de ansiedade, de pânico, mas não sei o que é conseguir ler duas linhas de um livro sem fazer conexões com inúmeros cenários, ou situações que fazem sentido apenas dentro da minha cabeça vendo o foco ir para a casa do cara*** em questão de segundos..

esses últimos cinco anos tem sido um apanhado dessas situações, entre ansiedade, depressão, crises existenciais e muito assunto conversado comigo mesmo, martelando as vezes meses a fio… o pior é que minha geração foi criada para ser infalível, com aquelas tradicionais obrigações de provedor, de senhor sabe tudo seguro de si que não pede ajuda, não chora, nem demonstra emoções… adestrado a responder quando questionado como vai, sem pensar nem piscar de olhos, “tudo bem!” com um sorriso idiota estampado… penso que terei que me render a tarja preta… que era o que eu não gostaria de ter que fazer… sabe como é… sinal de fraqueza…

o que posso dizer que foi bom, é que a solidão ao longo desses oito anos sozinho foi resignificada, aquilo que parecia um monstro aterrorizante, não é nada perto dessa mistura de bateria de escola de samba com usina nuclear… ainda que enjoe ficar tanto tempo só…