encontros

se eu tivesse uma filha, gostaria que ela fosse como a Isa… então hoje ao ver seu sepultamento diria que perdi a filha que não tive… obviamente não há como comparar com a dor que a família e as pessoas que conviveram com ela estão sentindo… mas… se eu tivesse tido uma filha, gostaria que fosse como ela… enfim, daqueles encontros que a gente não imagina e nem espera que aconteçam e quando acontecem, são verdades incontestes… escondo minha lágrima porque ela é a dor de quem fica, mas foi tão bom sentir felicidade ao ver a felicidade dela, que penso tenha sido essa a maior lição aprendida nesse curto espaço de tempo…

obrigado Isa por ter me permitido sentir isso… infelizmente você não será a madrinha do meu casamento como você me disse que seria e eu não irei na sua colação de grau no curso de jornalismo que você tanto sonhou como eu lhe disse, mas tenho certeza que você seria uma jornalista foderosamente fodástica!! deixo o título desse texto apenas como “encontros”, porque as despedidas são sempre um até já… cê tá sempre aqui ❤

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circo

Sabe quando você vê o circo pegando fogo sabendo que você poderia estar lá dentro, mas não está porque foi trocado por outro? É aquilo que os evangélicos chamam de livramento…

calma

Depois de algum tempo, experimentei uma calma que há meses não sentia… Não significa que já esteja tudo certo, apenas que descobri que há sim um bem querer perdido no meio de uma selva de medos sem saber como sair… 

Desgraçadamente a lei de afinidade é uma realidade! Em certo momento da minha vida me isolei, criei um muro ao meu redor, tranquei o portão e joguei a chave fora ficando sem saber como sair… Quem foi que a vida me trouxe? Alguém passando num momento muito parecido… Quiçá eu consiga encontrar a chave que abre o portão e consiga tirá-la de dentro…

Sei enquanto religioso que nada acontece sem que a gente tenha alguma necessidade relacionada com o problema… Talvez todos esses anos de exilio do amor tenham sido uma ótima escola, das lágrimas roladas todos esses anos no canteiro da vida, agora floresce algo que desconheço, algo talvez como a reciprocidade… Entretanto ainda é cedo para dizer, porém, parece ser… ou como sempre, a esperança que de fato seja…

necessário

Eu não queria esquecê-la, mas era necessário… Precisava lembrar de mim, dos meus projetos e sonhos… Mas por mais desgraçadamente que fosse, ela estava inserida neles… Esses são aqueles erros anunciados que a gente reza para que tenha um final diferente… Porém precisava esquecê-la ou ao menos, diminuir aquilo que já estava entranhado de tal forma que parecia ser arrancar um pedaço da própria carne ao deixá-la… Enfim… Era preciso esquecê-la, porque era necessário seguir adiante…

fim dos tempos

Assistindo ao que está acontecendo no mundo, no que diz respeito ao confronto entre as potências, obrigatoriamente sou levado a me lembrar da minha infância e adolescência. Nessa época, nas festas de fim de ano, mais especificamente na noite da véspera de ano novo, tenho a lembrança de orarmos em casa pelo ano que se iniciava e, por não termos sofrido com o inverno nuclear onde restariam apenas as baratas.

Sendo um legítimo SRD safra 74, peguei apenas o final desse período da história. Passei por inúmeros “fins de mundo” sobrevivendo à todos eles. Lembro da queda do muro de Berlim, lembro das lágrimas de muita gente vendo pela TV aqueles doidos se abraçando em cima do muro. Quiça o mundo agora respirava mais tranquilamente.

Ainda tenho na memória a sensação de saber que mais um ano tínhamos sobrevividos. Trago as marcas de uma geração que sabia o que era uma bomba de nêutrons, que ouvia rádio de ondas curtas como se estivesse praticando um ato ilícito (herança dos anos de chumbo) ouvir a radio de Moscou transmitindo em espanhol era algo altamente subversivo.

Enfim, entra frases meio desconexas carecendo de melhores conectores, no mesmo compasso em que volto a ouvir redemocratização, assisto aflito o mundo voltar a arder. Não há palavras que possam traduzir a tristeza que aos poucos vai tomando conta e as memórias que vão ganhando contornos reais de um tempo que deveria servir de alerta, porém, permanecer no passado.

Fim dos Tempos

 

dessa vida

Eu e meu pai tivemos poucas conversas infelizmente, porém seria uma injustiça dizer que não foram profundas. Certa vez ele me disse, dessa vida não se leva nada a não ser o que se faz pelos outros. Independente do credo individual, já imaginou o difícil que é isso? Ainda que fosse aecista e defendesse valores reacionários, não vivia conforme… ele não dava esmolas, mas sim, dava do seu tempo, dos seus bens, fazia o que estava ao seu alcance pelos outros. Trocando em miúdos, vivia conforme o papa Francisco disse a respeito dos cristãos… Apenas não sabia… Enfim, as vezes acordo com alguma lembrança dos nossos poucos momentos, pérolas cultivadas no jardim da vida que deixo aqui para que não caia no meu esquecimento.